• Marcela Pavan

Você sabe escolher?


* Por: Marcela Pimenta Pavan

O mundo em que vivemos pede cada vez mais autonomia de nós. Antigamente era comum ter que seguir um padrão mais rigidamente esperado pela sociedade. Existiam modelos certos de como agir e se portar. Hoje em dia é diferente, são inúmeras as possibilidades e perspectivas de futuro. Podemos escolher diversas profissões, morar fora do país, casar ou não, ter filhos ou não, entre outras.

Ainda existem os modelos certos e ideais, aqueles mais reconhecidos e valorizados pela sociedade, mas atualmente, sem dúvida, temos muito mais liberdade de escolha.

A questão hoje não é somente a conquista pelo espaço e o direito de liberdade e sim como decidir pelo que é melhor para si, como administrar as diferentes possibilidades e decidir pela escolha adequada.

Liberdade

No passado a liberdade era tolhida e o questionamento não era estimulado na maior parte da população, bastava seguir o que era esperado, o modelo para ser aceito. À medida que ganhamos independência e mais acesso a informação, ganhamos também liberdade e possibilidades de escolhas pessoais e, com isso, a necessidade de aprender a lidar com essa condição. Significa desenvolver a capacidade de refletir, ponderar, comparar e escolher.

Saber escolher pode parecer fácil, mas não é. São muitos os aspectos envolvidos. O que é melhor para mim? O que é melhor para o meio em que vivo? É possível chegar a um consenso? Tenho coragem suficiente para escolher e seguir por minha conta e risco?

Tomar para si a responsabilidade pelas próprias escolhas sem colocar as justificativas em fatores externos, como o destino, a família, o companheiro e tantos outros, é uma tarefa corajosa.

O filósofo francês Jean-Paul Sartre desenvolveu, no século passado, a idéia da Má-fé , que é a tendência do ser humano de colocar a responsabilidade pela própria vida em fatores externos evitando assim a angústia. De certa forma atribuir nossas escolhas a outros fatores nos liberta do desconforto, é aparentemente mais fácil colocar a possibilidade de fracasso em uma justificativa externa, mas também uma forma equivocada, pois nos distancia dos nossos projetos pessoais, direcionando a vida, muitas vezes, para um lugar distante daquilo que realmente desejamos.

Autonomia

Há uma citação do Psicólogo Carl Gustav Jung que diz “Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos.” Para sermos quem realmente somos, e sermos mais realizados e felizes, é necessário tomar a responsabilidade da própria vida para si mesmo, amadurecendo e deixando de ser refém do acaso ou de situações aparentemente condicionantes.

Claro que a opinião e ajuda daqueles que amamos e respeitamos é benéfica e fatores externos nos influenciam mas a escolha final sempre é nossa, pessoal e intransferível.

Ter consciência disso é ter autonomia, tomar as rédeas da própria vida e direcioná-la para onde se quer com vontade, coragem e o constante desejo de descobrir a si mesmo.

*Marcela Pimenta Pavan. Psicóloga clínica. CRP 05/41841. 

e-mail:marcelapimentapavan@gmail.com

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